“A greve fracassou, mas seguiremos dialogando com os caminhoneiros”, diz o ministro da Infraestrutura

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que o governo pretende seguir adiante com uma agenda voltada aos caminhoneiros, independentemente de a greve que havia sido marcada para a segunda-feira (1º) ter “fracassado”, na avaliação do governo. “Conversamos muito com a categoria e, desde o início, dizíamos que não daria certo”, disse ele.

“As poucas coisas que aconteceram, como queimada de pneus e paralisação em São Paulo, não têm relação com os caminhoneiros. Agora, não é porque a greve não prosperou que vamos abandonar a agenda, mas precisamos estudar”, acrescentou.

O Ministério da Infraestrutura e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) disseram que o fluxo de veículos foi normal, sem qualquer ponto de retenção total ou parcial, em todas as rodovias federais, concedidas ou sob gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Freitas mencionou algumas medidas que o governo pretende levar adiante, como programas de capacitação dos caminhoneiros, medidas para eliminar intermediários nas prestações de serviço, pagamentos eletrônicos via Pix (o sistema de pagamentos do Banco Central), recebimento de vale-pedágio e acesso a capital de giro.

“Temos que ajudar o caminhoneiro a lidar de melhor forma com essa competição e vamos tocar essa agenda de simplificação, eliminação de intermediário e acesso a crédito”, prosseguiu. Ele acrescentou que ainda pretende avançar com a liberação do documento de transporte eletrônico, pontos de parada certificados e programa de incentivo ao cooperativismo.

O ministro não descartou a possibilidade de o governo atuar para reduzir a cobrança de PIS e Cofins sobre o óleo diesel: “O governo vai estudar o que pode fazer sobre Pis e Cofins, mas é sempre complexo. Não está descartado que lá na frente haja redução de tributo. É possível, mas tem que ser estudado. A mudança deve ser estrutural. Uma reforma tributária, talvez, ajude a trazer mais equilíbrio para esses preços”.

Aumento

Na semana passada, a Petrobrás anunciou um reajuste de 4,4% no preço do diesel. O preço médio do litro do combustível teve alta de R$ 0,09. Para aliviar a pressão do reajuste do combustível sobre o bolso dos caminhoneiros, cada centavo de redução no PIS/Cofins sobre o diesel teria impacto de R$ 800 milhões nos cofres públicos.

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) determina que ao reduzir a arrecadação com esses tributos, o governo precisa compensar com aumento de outros impostos ou redução de renúncias.

A equipe econômica estuda limitar a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros com valor mais alto, como SUVs, para pessoas com deficiência e acabar com renúncias tributárias para o setor petroquímico. As duas medidas podem garantir uma receita de R$ 2 bilhões a mais aos cofres públicos.

“Sabemos que a situação do caminhoneiro está difícil”, admitiu Freitas. “Temos uma agenda de trabalho com a categoria e vamos seguir com ela. Queremos melhorar a situação, dentro dos limites que nós temos.”

A respeito da tabela de frete usada no setor, disse que é preciso aguardar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a aplicação do recurso, que passou a vigorar desde as greves de 2018.

“Qualquer tabelamento de frete é muito difícil pegar. Se o insumo subiu, você tem que subir seu frete”, avalia. “O problema é que seu colega do lado pratica um preço mais baixo. Hoje as empresas oferecem um preço de frete de serviço de tal lugar para outro. Se alguém pega aquele preço, é aquilo. Se todos tivessem consciência de que o valor está incorreto, o frete subiria. Temos outro problema hoje que é o excesso de oferta.”

Mobilização

Líderes dos caminhoneiros autônomos transportadores de cargas convocaram motoristas para a paralisação, reinvindicando, entre outras coisas, querem a redução no PIS/Cofins sobre o óleo diesel, o aumento e cumprimento da tabela do piso mínimo do frete, estabelecido em 2018 após a paralisação de 11 dias, modificação da redação do projeto 4199/2020, o BR do Mar, sobre cabotagem, aposentadoria especial para o setor e um marco regulatório do transporte.

Os caminhoneiros também pediam a redução do ICMS, imposto estadual, sobre o combustível e da tarifa dos pedágios estaduais.

No domingo, 31, um áudio de uma conversa o ministro da Infraestrutura e uma liderança de caminhoneiros circulou em grupos de Whatsapp, no qual Freitas afirmava não ter possibilidade de atender alguns dos principais pedidos do segmento. Ele confirmou a autenticidade do áudio e confirmou que a conversa ocorreu no sábado,mas disse que se tratava, apenas, de esclarecer o papel do governo em cada demanda, o que é possível fazer e o que não é.

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
x

Veja Também

Adolescentes de 12 a 17 anos serão vacinados contra o coronavírus, Herval começa nesta quinta dia 29

O Brasil irá vacinar adolescentes de 12 ...

%d blogueiros gostam disto: