Investimento da indústria gaúcha em 2020 foi inferior ao previsto

O percentual de empresas gaúchas que investiram em 2020 chegou a 63,8%, bem inferior ao previsto no começo do ano passado, antes da pandemia, quando 78,2% tinham essa expectativa, revela a Pesquisa Investimentos na Indústria do RS, divulgada nessa quarta-feira (24) pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS). O resultado pouco se alterou nos últimos três anos e permanece em nível bastante baixo, distante dos 80% anteriores à grande recessão do triênio 2014-2016. Porém, o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, alerta que com a recuperação da economia brasileira e da atividade industrial nos últimos meses, bem como a expectativa de continuidade em 2021, “o cenário é bem mais favorável do que no ano passado para os investimentos, que devem voltar a crescer”.

A crise produzida pela pandemia reduziu significativamente o nível de concretização dos investimentos planejados, segundo aponta a pesquisa. Foram materializados plenamente por somente 36,9% das empresas, percentual bem abaixo de 2019 (53,3%) e que, desde 2010, superou apenas os 33,1% de 2016.

A principal causa da realização apenas parcial ou do adiamento daquilo planejado para 2020 foi a reavaliação da demanda doméstica, com 46,9% das citações entre os participantes da pesquisa. Vale destacar, porém, o elevado percentual do item “outros motivos”, assinalado por 31,3%. Ele deriva das medidas inéditas de contenção adotadas durante a pandemia e da incerteza em relação a sua evolução. A dificuldade de obtenção de matérias-primas, outro fenômeno deste período, foi a terceira maior causa para a não realização plena dos investimentos no ano passado, por 28,1% das empresas.  A maior parte do valor utilizado pela indústria gaúcha em 2020 veio de recursos próprios, 72,2% em média do total. Porém, com a queda dos juros, essa participação caiu 3,5 pontos percentuais em relação a 2019, optando pelos bancos comerciais, especialmente os privados, cuja participação subiu de 9,4% para 14,9%.

Na comparação com 2019, os principais tipos de investimentos realizados pela indústria gaúcha pouco se alteraram em 2020: máquinas e equipamentos. Quase sete em cada dez empresas – 68% – investiram na aquisição, manutenção ou atualização dos bens de capital. Porém, os investimentos destinados à construção, aquisição ou modernização de instalações apresentaram crescimento destacado no período, de 45,5% para 61,5% das empresas.

EXPECTATIVAS PARA 2021 – Pouco mais de sete em cada dez empresas (72,5%) que responderam a pesquisa pretendem investir em 2021. Se confirmado, será o maior percentual desde 2014 (77,3%) e bem superior ao realizado em 2020. “O investimento da indústria gaúcha este ano deverá ter dois focos principais: melhorar o processo produtivo e a aumentar a capacidade de produção”, destaca o presidente da FIERGS. Cada um desses dois tipos de investimentos foram citados por 33,6% das empresas. Vale ressaltar que, no caso do aumento da capacidade produtiva, foi o maior percentual desde 2011, quando a pesquisa começou, e 20,7 pontos percentuais maiores do que o levantamento anterior.

A natureza dos investimentos previstos para 2021 não deve mudar se comparados ao do ano passado, com as empresas adquirindo máquinas e equipamentos novos (62,9% das respostas), fazendo a manutenção e a atualização dos que estão em uso (54,3%) e investindo nas instalações (52,1%). Mas não há mudança na orientação quanto ao mercado alvo. Continuará majoritariamente voltado para atender a demanda doméstica, intenção de 59,3% das empresas, 2,8 pontos percentuais acima de 2020.

A Pesquisa Investimentos 2020-2021 foi realizada de 4 a 15 de janeiro de 2021, com 196 empresas no Estado, sendo 36 pequenas, 67 médias e 93 grandes.

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