Médico aponta falta de isolamento para Covid em Jaguarão

A Zona Sul vive o pior momento da pandemia de Covid-19. E um dos municípios onde o número de casos mais cresce é Jaguarão. Mas a alta contaminação por coronavírus não é a única polêmica na área da saúde. Na última quarta-feira, o médico Marcelo Steimbruch relatou em suas redes sociais que o Pronto Atendimento (PA) da Santa Casa de Misericórdia estaria atendendo pacientes contaminados por Covid-19 no mesmo local onde recebe os demais casos. A direção do hospital nega as acusações.

Em seu relato, o médico – que atua como cirurgião no local – afirma que todos os pacientes entram pela mesma porta e são atendidos pelos mesmos funcionários. “O atendimento é escandalosamente, vergonhosamente relaxado. Tenho certeza que o que está ocorrendo no PA é escandalosamente errado. Qualquer comércio da cidade tem protocolos de distanciamento que protegem mais os clientes do que a Santa Casa protege seus pacientes no PA. Na condição de médico, tenho a obrigação de tomar uma atitude, senão estaria sendo conivente com esta situação”, diz Steimbruch.

Segundo ele, houve uma tentativa de resolver a questão internamente. No entanto, diz não ter obtido resposta dos gestores. Diante disto, procurou a Câmara de Vereadores e fez reunião com a Comissão de Saúde da Casa. A direção do hospital não enviou representantes ao encontro. Após a conversa, o vereador Luciano Terra (PP) fez uma visita ao PA e teria constatado as irregularidades.

O caso também foi levado ao Ministério Público, que através da promotora de Justiça Priscilla Ramineli Leite Pereira, cobrou informações dos gestores da Santa Casa. Através de comunicado no Facebook, a administração do hospital se defendeu das acusações. “Nosso trabalho é atender a todos, sem que ninguém se sinta preterido, com a máxima segurança, eficácia e dedicação. Não diferenciamos pessoas, diagnosticamos e tratamos adequadamente suas enfermidades para que tenham uma vida melhor e mais digna”, diz trecho publicado na página oficial do hospital.

“Eles falam como se a necessidade de isolar pessoas que contagiam outras fosse segregar por preconceito. Eles colocam ali, na maior cara dura, Covid, tuberculose, HIV, que são todos atendidos da mesma maneira. Ou seja, todos entram pela mesma porta, são atendidos no mesmo local, pela mesma equipe médica e de funcionários. A mesma equipe atende todos os pacientes, ao mesmo tempo”, reclama Steimbruch.

Motivação política?
Vice-prefeito de Jaguarão e gestor presidente da Santa Casa, Rogério Cruz afirma que as denúncias são falsas. “É uma verdadeira inverdade. Temos o melhor sistema da região, locamos um prédio para síndromes gripais que fica bastante longe do hospital. Temos ambulância e equipes para conduzir até o Pronto Socorro quando necessário para fazer exames, tomografia ou algo mais, até internação na ala Covid, totalmente estruturada com seis equipamentos completos, respiradores e tudo mais, além de mais 20 leitos clínicos, tudo totalmente separado”, argumenta. Segundo ele, a denúncia se deu por “diferenças de posicionamento entre médicos, estruturalmente estamos dentro de todas as normas da Anvisa e do Ministério da Saúde”.

Para o diretor executivo da Santa Casa, Filipe Ribeiro, a motivação de Steimbruch é por divergências políticas. “O médico é filiado ao PSB, partido opositor. E nós viemos muito bem na saúde aqui no município. Ele alega que o acolhimento dos pacientes deveria ser separado no Pronto Socorro, mas não temos como saber se quem chega ao Pronto Atendimento está contaminado ou não, de modo que tratamos todos como se estivessem, até haver um diagnóstico preciso. E também já temos esse acolhimento separado, pois tem-se um Centro de Atendimento a Sintomas Gripais no centro da cidade, que atende pacientes Covid e suspeitos de Covid.”

O médico, por sua vez, descarta motivação política. Ele afirma que nunca concorreu a cargos na administração. “Lá no início de 2020 fui convidado por um partido a me filiar e eu me filiei, fiz propagando no meu Facebook para outro candidato. Inclusive dei mais de uma entrevista aqui na cidade dizendo que eu não ia entrar na política. Zero motivação política na minha denúncia.”

Ainda segundo o cirurgião, um anestesista que participou da reunião na Câmara de Vereadores na semana passada foi demitido na última segunda-feira. A administração do hospital foi questionada sobre o tema, mas não soube informar o motivo da demissão.

Fonte: Diario Popular

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