Produtores de trigo da região devem aumentar a área em 57,16%

O outono se despede trazendo um dos eventos mais esperados pelos produtores da Região Sul do estado: a chuva. Depois de enfrentar uma estiagem de quase sete meses, os produtores comemoram os bons volumes pluviométricos, que ocorrem desde o final do mês de maio e que, segundo a Emater/RS, em seu informe semanal, recuperaram aguadas e encharcaram os solos, favorecendo os cultivos da época.

Com a maioria das culturas em período de entressafra (soja, milho, arroz e feijão), as atenções se voltam ao plantio do trigo, principal cultivo de inverno da região, cuja semeadura avança em oito municípios (confira tabela). De acordo com o extensionista da Emater, engenheiro agrônomo Evair Ehlert, estão semeados 60% da área de intenção de cultivo, que é de 5.647 hectares. Segundo o agrônomo, houve aumento de 57,16% na área em comparação com o ano passado, quando foram plantados 3.593 hectares.

Favorecida pelo clima, a expectativa é de que toda a semeadura ocorra em junho. “Os prognósticos climáticos favorecem a tomada de decisão, com primavera de normal para mais fria e chuvas dentro da normalidade, principalmente na primavera, período de granação do trigo”, diz Ehlert. Segundo ele, os preços praticados no mercado também favorecem a tomada de decisão.

Outra cultura beneficiada pelo frio é a cebola, com expectativa de plantio de 2.350 hectares na região e uma produção de mais de 80 milhões de quilos de bulbos. No maior produtor do Rio Grande do Sul, o município de São José do Norte, é esperado o cultivo de 1,5 mil hectares, que envolvem 1,5 mil produtores.

O inverno inicia oficialmente neste sábado (20), às 18h44, e termina no dia 22 de setembro, às 10h31. Enquanto isso, os produtores ainda contabilizam as perdas das culturas de verão devido à estiagem e se programam para a próxima safra. Produtores de soja renegociam dívidas devido aos problemas ocasionados pela falta de chuva, com reduções drásticas na colheita, impedindo a quitação das dívidas tanto de custeio das lavouras, como dos investimentos. Realizam, com apoio dos escritórios da Emater, a renegociação e parcelamento das dívidas junto aos agentes financeiros.

Os preços pagos pelo saco de 60 quilos oscilam entre R$ 98 em Pedro Osório, R$ 99 em Jaguarão e Arroio Grande, R$ 102, em Piratini e São Lourenço do Sul e R$ 103,75 em Rio Grande. Os sojicultores semeiam as forrageiras de inverno, que servem tanto como cobertura e proteção dos solos como alternativa de pastejo à pecuária.

No milho, a colheita acontece em áreas destinadas ao consumo das criações, de acordo com a demanda. Segundo a Emater, deve faltar milho na região para manter a normalidade das criações de animais domésticos com finalidade de abastecimento familiar. O milho será adquirido nos mercados ou substituído por outros alimentos ofertados em maior quantidade e menores preços. Os preços pelo saco de 60 quilos estão estabilizados, sendo comercializado a R$ 50 em Pelotas, Canguçu e São Lourenço do Sul, em Santana da Boa Vista a R$ 46, em Piratini a R$ 48 e em Turuçu a R$ 45.

Os produtores de arroz estão satisfeitos com os rendimentos obtidos e também pelos preços de comercialização ao longo da colheita até agora. Em áreas com condições de drenagem, produtores aproveitam para realizar o preparo antecipado das áreas para a nova safra, que começa a ser semeada em setembro. A maioria aproveita as restevas para forrageamento dos bovinos de corte. O preço do arroz em casca apresenta cotações de R$ 63 em Jaguarão, R$ 67 em Rio Grande, R$ 61 em Arroio Grande, R$ 63,10 em Santa Vitória do Palmar, R$ 64,34 em Pelotas e R$ 65 em São Lourenço do Sul o saco de 50 quilos.

Os produtores de feijão estão com as sementes armazenadas para os próximos cultivos, principalmente aquelas para o consumo familiar e comercialização dos excedentes. Os preços no saco de 60 quilos, em São Lourenço do Sul, são cotados a R$ 280, Canguçu e Turuçu a R$ 200, Santana da Boa Vista a R$ 250 e Arroio do Padre a R$ 300.

O mercado de hortaliças se adapta e encontra alternativas viáveis de comercialização. Alguns grupos, associações e cooperativas estabelecem o comércio online, através de aplicativos e sistemas de e-commerce. Todos os olericultores foram impactados tanto pela estiagem como pelos efeitos da pandemia. Com a reabertura escalonada e parcial dos locais tradicionais de compra de olerícolas como bares, restaurantes, pequenas mercearias, quitandas, principalmente as folhosas, produtores rurais retomam gradualmente as vendas e esperam o aumento da demanda. A região produtora de hortaliças está mais aliviada com as chuvas mais abundantes, recuperando em parte, a água disponível nos reservatórios e açudes utilizados na irrigação.

O tabaco está com a colheita encerrada na região, permanecendo as atividades de classificação e comercialização da safra. O produto fica armazenado até o final deste mês, quando geralmente encerra a comercialização, mas há expectativa de que as compras se estendam até o início de julho. Preços entre R$ 8 a R$ 11 por quilo de folhas secas. A estimativa é de que 72% da safra já está comercializada. Produtores seguem com o preparo das áreas para a próxima safra com expectativa de manutenção da mesma desta passada.

Na bacia leiteira, melhora a oferta de pasto e aumentam as áreas com pastejo. Alguns produtores concluíram a implantação das pastagens com a boa umidade do solo. Pastagens sobre restevas de soja se desenvolvem bem e aumenta o número de áreas com pastoreio. O campo nativo apresenta baixa recuperação e deve sentir ainda mais os efeitos das geadas, que iniciaram no último final de semana. Na bovinocultura de corte, reservatórios de água e pastagens também se recuperam.

Intenção de plantio do trigo (2020/2021)
Município – Área (ha)
Arroio Grande: 1.300
Canguçu: 630
Herval: 500
Jaguarão: 1.000
Pedras Altas: 910
Pelotas: 17
Piratini: 1.000
Santana da BV: 300
Total: 5.647

Fonte/Texto:  Luciara Schneid

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